04/07/2011 - Representantes do Circuito Quilombola do Vale do Ribeira participam de mostra de turismo sustentável

A sexta edição do Festival de Turismo das Cataratas do Iguaçu promovida pela Fundação Parque Tecnológico Itaipu, superou as expectativas de público. Mais de seis mil pessoas participaram do evento em Foz do Iguaçu, entre 16 e 18 de junho. A participação de Jorlei da Costa Pereira, do quilombo de Pedro Cubas e Maria Gonçalves da Fonseca, do quilombo de Sapatu, foi mais uma atividade do projeto de Divulgação do Circuito Quilombola, realizado pelo ISA durante a 2ª Mostra de Turismo Sustentável dentro do festival. Os 58 estandes do evento transformaram-se em uma vitrine viva de iniciativas de turismo de base comunitária, artesanato e gastronomia.

Os quilombolas do Vale do Ribeira Jorlei da Costa Pereria e Maria Gonçalves Fonseca durante a mostra sustentável em Foz do Iguaçu (no centro da foto)


Foram apresentadas 18 iniciativas nacionais de turismo sustentável e de base comunitária. A iniciativa faz parte do Projeto de Fortalecimento do Turismo Sustentável e de Base Comunitária para a Inserção de Produtos e Serviços no Mercado, que incentiva a troca de experiências entre as comunidades.

O representante da Secretaria Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, destacou que o turismo de base comunitária tem um caráter local, mas tem dimensões globais e está seguindo o caminho certo. “O setor pode e vai crescer muito no Brasil”, destacou.

Ainda durante o festival, aconteceu o 5º Fórum Internacional de Turismo do Iguaçu, com o tema “Tendências do Turismo Regional diante do Novo Perfil Consumidor. O fórum é considerado um dos maiores eventos técnico-científicos do Brasil e reuniu 569 participantes, com 60 trabalhos apresentados. O fórum possibilitou a troca e a cooperação entre acadêmicos, pesquisadores e profissionais do turismo.

O tema da comercialização do turismo de base comunitária, na programação da mostra gerou unanimidade entre os participantes. Eles afirmaram que a comercialização dos destinos turísticos desta categoria é um ponto frágil e precisa ser melhorado. Entre os participantes deste debate estavam representantes do Ministério do Turismo (MTur), da Rede Turisol – Rede Brasileira de Turismo Solidário e Comunitário - e das operadoras Brasil Rural, Estação Gabiraba, Araribá e Actuar, da Costa Rica.

Estandes mostravam iniciativas sustentáveis de turismo


Ana Beatriz Serpa , do MTur, destacou que desde 2008 o ministério tem trabalhado forte na questão do turismo de base comunitária, no mapeamento dos destinos turísticos desse segmento. “Quando iniciamos esse trabalho não imaginávamos a quantidade e a qualidade desses destinos. O Brasil é um país avançado neste sentido. Fico feliz em saber que somos, talvez, a vanguarda do turismo sustentável na América do Sul”, destacou. Ela ressaltou, entretanto, que o MTur tem trabalhado bastante na questão da comercialização desses destinos. “Realizamos a mostra de turismo sustentável para entender e começar a comercializar melhor, pois é, ainda, um ponto frágil, e a gente tem muito a avançar”.

Para Dino Xavier, da Araribá operadora de turismo de base comunitária, ainda existem muitas dúvidas na hora de comercializar pacotes de base comunitária. “É preciso ter um diálogo muito aberto, pois no turismo comunitário as comunidades ainda não têm esse conceito de tarifação”. Além disso, Xavier enumerou alguns pontos que precisam ser melhorados para alavancar a atividade, como acessibilidade, transporte, material técnico, estrutura e treinamento.

Barbara Munhoz, da Rede Turisol, defendeu que o modo de vida da comunidade rural é a principal atração dos passeios. “Viajar está ligado ao status, ao luxo, e no turismo de base comunitária o luxo é conhecer e vivenciar o modo de vida nessas comunidades”, avaliou. Já o consultor Sérgio Salvati, acredita que o turismo sustentável pode acontecer em diferentes níveis: pode ser uma família, um grupo familiar, uma vila, uma pequena cidade. “Não importam os níveis, o que importa são os benefícios que gera à comunidade. Mas, para isso, é preciso estudar e entender melhor a sazonalidade, o acesso, a hospitalidade e a comercialização que é, ainda, o ponto que mais gera preocupação”.